Oficinas e Minicursos
As inscrições para as oficinas e os minicursos do XVIII SPLIN estão abertas! São atividades pensadas para ampliar e aprofundar a formação dos participantes, criando espaços de troca teórica e prática em diferentes campos da Linguística.
As oficinas e os minicursos acontecerão nas manhãs dos dias 13 e 14/11. Para garantir que todos possam aproveitar a programação, cada participante poderá se inscrever em um (1) minicurso e em até duas (2) oficinas.
As inscrições para oficinas e minicursos ficam abertas até 31/10 e devem ser feitas exclusivamente pelo formulário disponível neste link.
Importante: a inscrição de ouvintes no XVIII SPLIN também se encerra em 31/10, mas é realizada em outro formulário, já divulgado anteriormente.
Programação
Confira na tabela abaixo a visão geral das atividades, com suas respectivas datas e horários. Para conhecer os resumos completos e o perfil dos professores e pesquisadores, explore as seções seguintes de minicursos e oficinas.
| CÓDIGO | NOME | DATA | HORÁRIO |
|---|---|---|---|
| OFICINAS | |||
| OF-01 | Discurso político em movimento: do palanque ao Twitter/X | 13/11/2025 | 08h - 10h |
| OF-02 | Analisando dados de línguas de sinais: o uso do ELAN como ferramenta de trabalho | ||
| OF-03 | Jogos e gamificação no ensino de inglês: recursos didáticos da teoria à prática | ||
| OF-04 | Análise e investigação dos processos de criação artística e midiática | ||
| OF-05 | Humor e discurso de ódio na política brasileira contemporânea | 14/11/2025 | |
| OF-06 | Uma rápida introdução ao LaTeX | ||
| OF-07 | Do Tema à Tarefa: Explorando o Ensino por Tarefas na Prática Docente com Foco na Elaboração de ciclos de tarefas | ||
| MINICURSOS | |||
| MC-01 | Refletindo a pedagogia de línguas: contribuições da teoria da complexidade/caos | 13 e 14/11/2025 | 10h - 12h |
| MC-02 | Práticas e representações da escrita e da leitura | ||
| MC-03 | Hýle e noûs: o impacto dos hábitos linguísticos no pensamento | ||
| MC-04 | Uma abordagem discursivo-midiológica da digitalidade: teoria, método e identidade editorial | ||
| MC-05 | Um jardim mexicano para cultivar processos de formação de professores de espanhol língua estrangeira | ||
A seguir, confira as propostas detalhadas de cada atividade, além de um perfil dos pesquisadores e especialistas que irão ministrar as oficinas e os minicursos.
Oficinas
OF-01: Discurso político em movimento: do palanque ao Twitter/X
Profa. Dra. Lívia Falconi e Profa. Dra. Júlia Klein Caldas
Diante da efervescência discursiva da atualidade, demonstrando novas ordens, é possível dizer que o discurso político sofre alterações e se molda influenciado pelas ferramentas que promovem sua circulação, diferenciando-se daquele que era objeto da AD em seu nascedouro nos idos anos de 1960. Em constante mutação, sendo ele sócio- historicamente construído, passível de diferentes emergências e construtor de memória, possui características fluídas e também fixas. O discurso político tem que se adaptar, já que não está só ocupando seu lugar de conforto, o palanque, mas sim a televisão e as redes sociais, dessa maneira, se constrói a partir de um jogo de sedução e convencimento e não se transformando meramente em um instrumento da política. Aparece-nos, na atualidade, um discurso político característico na modernidade pela “fala breve e efêmera”, “discurso curto, descontínuo e ininterrupto” (COURTINE, 2006, p.84), do qual é difícil depreender algo, no qual se valoriza a expressão da subjetividade, de certo individualismo que dá amplas margens para o lugar de destaque do sujeito político. Portanto, nessa oficina propomos análises e discussões sobre o discurso político produzido nos últimos anos e hodiernamente em circulação em diferentes plataformas digitais de interação, com foco no Twitter/X. Para tanto, abordaremos conceitos e métodos na Análise do Discurso, passando pelas teorias da Análise do Discurso de vertente Foucaultiana e chegando até a Análise do Discurso Digital.
Livia Maria Falconi Pires (Lattes):
Graduada em Licenciatura Plena em Letras português/espanhol pela Universidade Federal de São Carlos-UFSCAR no ano de 2009, titulada Mestre em Linguística no ano de 2012 pelo Programa de Pós-graduação em Linguística (PPGL) da mesma universidade, doutora em Linguística pelo mesmo PPGL no ano de 2017 e concluiu o pós-doutoramento em 2023. Fez Estágio de Pesquisa (BEPE-FAPESP) na Université de Toulouse 2 (Jean-Jaurès), desenvolvendo pesquisa em discurso, mídia e política. Participou do grupo de estudos em Análise do Discurso-Labor desenvolvendo pesquisas relacionadas com as mudanças no discurso político na esteira da teoria da Análise do Discurso de linha francesa. Em 2010 foi vice- representante discente da pós-graduação em linguística da UFSCar e em 2013 foi representante discente do mesmo programa. É docente do Centro Universitário Central Paulista (UNICEP-São Carlos), foi docente substituta do Departamento de Letras da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e é integrante do Laboratório de Estudos Epistemológicos e de Discursividades Multimodais - LEEDIM.
Júlia Klein Caldas (Lattes):
Doutora e mestra em Linguística Aplicada pela Unisinos (ambos com bolsa CAPES integral). Especialista em Planejamento de Comunicação e Gestão de Crises de Imagem pela PUC-RS. Bacharel em Comunicação Social, habilitação em Jornalismo pela Unisinos, também possui Graduação Tecnológica em Fotografia. Integrante do grupo de pesquisa Economia Política da Comunicação e da Cultura (EPCC/CNPq), vinculado à Fundação Casa de Rui Barbosa/RJ e do Laboratório de Estudos Epistemológicos e de Discursividades Multimodais (LEEDiM), vinculado à Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). Editora da revista digital Linguarudo, com foco em popularização da ciência. Também integra o corpo editorial do projeto Ler, Literatura e Ciência, em que desenvolve fascículos educativos para crianças e jovens da rede básica de ensino. Membra da Associação Brasileira de Linguística (Abralin), Associação Latino-americana de Estudos do Discurso (ALED Brasil), Associação Brasileira de Pesquisadores em Comunicação e Política (Compolítica) e integrante do coletivo Observatório Argentino, que reúne professores e pesquisadores latino-americanos pela democracia e direitos humanos. Suas pesquisas estão voltadas à Análise do Discurso, com interesse em discurso midiático, discurso político e discurso digital, bem como em argumentação, letramento midiático, letramento digital, popularização da ciência e comunicação política. Tem experiência profissional nas áreas de comunicação corporativa e assessoria de imprensa.
OF-02: Analisando dados de línguas de sinais: o uso do ELAN como ferramenta de trabalho
Profa. Mestra Sarah Cristina Pavarina Chiodi
Línguas de sinais (LS) são línguas viso-gestuais, que utilizam, para além das mãos, o corpo e a face para construção de sentido, com gramáticas que se constituem a partir do espaço e da visualidade. Os marcadores não-manuais (MNM), elementos que ocorrem no rosto e no corpo, como o mouthing, o movimento do corpo e da cabeça, o franzir e arquear das sobrancelhas, o piscar dos olhos e o direcionamento do olhar, são fundamentais para as línguas de sinais, marcando intensidade, emoções do falante, início e fim de sentenças, a entonação, além de localizar os sujeitos e/ou objetos no espaço. Muitas pesquisas linguísticas têm sido desenvolvidas sobre as LS, centralizando o sinalizante, buscando evidenciar e valorizar a potência da língua natural do sujeito surdo. Para auxiliar o desenvolvimento dessas pesquisas, são necessárias ferramentas de transcrição e análise de dados, dentre elas, o ELAN, um programa que associa vídeo e transcrição, permitindo, assim, um estudo mais aprofundado do córpus selecionado. A oficina se propõe como um momento de prática de uso do ELAN, pensando em análises de dados de língua de sinais. Os inscritos aprenderão a criar trilhas e a manusear alguns recursos chave do programa, assim como a segmentar sentenças e a transcrever os MNMs em LS a partir de uma atividade de análise de vídeo.
Sarah Cristina Pavarina Chiodi (Lattes):
Mestra em Linguística pelo Programa de Pós-Graduação em Linguística e Língua Portuguesa da Faculdade de Ciência e Letras da Unesp de Araraquara (Bolsista CAPES). Bacharel e licenciada em Letras Português e Francês pela Unesp/Araraquara (2021) (Bolsista FAPESP de Iniciação Científica - Processos n° 2019/03307-6 e 2020/06329-8). Realiza pesquisa na área de Linguística, com enfoque na descrição e análise de língua de sinais, orientada pela profa. livre-docente Angélica Rodrigues. Integra o SignL - Grupo de Pesquisa em Línguas de Sinais da Unesp desde à sua formação, em 2019. Fez parte, como membro titular representante discente da Pós-Graduação, da Comissão Local de Acessibilidade e Inclusão (CLAI) da Unesp - Campus de Araraquara (2023-2025).
OF-03: Jogos e gamificação no ensino de inglês: recursos didáticos da teoria à prática
Profa. Elizete Oliveira Alves
Esta oficina tem como objetivo abordar e discutir a aplicação de jogos educativos e da gamificação como recursos didáticos para otimizar o processo de ensino-aprendizagem de Língua Inglesa. Partindo do pressuposto de que a gamificação utiliza dinâmicas de jogos para engajar e motivar os estudantes, a atividade será dividida em dois momentos. Primeiramente, serão abordados os conceitos teóricos que fundamentam a proposta, dialogando com autores como Leffa (2019) e Santos (2020). No segundo momento, os participantes terão a oportunidade de interagir com quatro jogos educativos desenvolvidos para o contexto da sala de aula, sendo um deles adaptado para alunos com deficiência visual: Word Strips: focado no desenvolvimento de vocabulário contextualizado; Guess the Word: um jogo que usa o cronômetro para estimular a oralidade e a participação em grupo; Prefixes and Suffixes Puzzle: um jogo em formato de quebra-cabeça para sistematizar o aprendizado de afixos na formação de palavras; Vocabulary Quiz: um quiz colaborativo que abrange a tradução de palavras, a pronúncia e a criação de frases. Espera-se que, ao interagirem com esses jogos, os participantes sejam capazes de adaptar e criar seus próprios recursos gamificados para o desenvolvimento das quatro habilidades comunicativas (leitura, escrita, escuta e fala). A crescente integração de tecnologias digitais no cotidiano dos alunos impõe à Linguística Aplicada o desafio de investigar e propor metodologias de ensino que dialoguem com essa nova realidade. Como aponta Leffa (2019), ao trazer o jogo para o contexto de aprendizagem, o objetivo transcende o entretenimento e foca em reforçar a aquisição de conhecimento. Esta oficina justifica-se por estar diretamente alinhada aos debates contemporâneos relacionados ao ensino de línguas, abordando as metodologias ativas e a gamificação como estratégias para um aprendizado mais engajador e significativo. As atividades oferecidas também contribuem para a formação dos participantes e podem ser aplicadas em suas salas de aula, incentivando a autonomia na criação de materiais didáticos e contribuindo com uma perspectiva prática sobre como a teoria pode subsidiar a criação de recursos pedagógicos eficazes e inovadores.
Elizete Oliveira Alves (Lattes):
Possui graduação em Letras - Português e Inglês pelo Centro Universitário Claretiano (2002). Atualmente é professora- PEB II da Escola Municipal Prof, Maria Arlete Angeleli.
OF-04: Análise e investigação dos processos de criação artística e midiática
Profa. Mestra Cássia dos Santos
A oficina "Análise e investigação dos processos de criação artística e midiática" discute metodologias de elaboração de um corpus linguístico, de caráter multimodal, voltada à análise dos processos de criação artística e midiática e à sua articulação com a divulgação científica, as narrativas orais, artística-literária, musical e teatral. Propõe-se, portanto, um desenho metodológico em quatro eixos: (1) delimitação e amostragem dos recortes temáticos das pesquisas em andamento do Coletivo Tessituras; (2) coleta de documentação e ética — registro de metadados (proveniência, datas, contexto de circulação), respeito a direitos autorais e consentimento quando necessário; (3) passos metodológicos que envolvem a análise do discurso, autores mobilizados nas pesquisas, bem como conceitos mobilizados que carecem de ser discutidos no contemporâneo e ainda as práticas espontâneas que criam discursos por meio da arte em diferentes materialidades; (4) refletir os procedimentos analíticos, a partir dos modos de percepção do pesquisador na universidade e como esses procedimentos contribuiem para diálogos futuros que envolvem a linguagem.
Cássia dos Santos (Lattes):
Graduada em Linguística pela Universidade Federal de São Carlos, campus São Carlos, eixo estudos discursivos. Mestre em Filologia e Língua Portuguesa pela USP, campus São Paulo (USP), eixo estudos discursivos (Círculo de Bakhtin), sob orientação da prof. Dra. Sheila Grillo. Doutoranda na área de linguística pela Universidade Federal de São Carlos, campus São Carlos, acerca dos aspectos linguísticos do romance Grande Sertão: Veredas, de João Guimarães Rosa, sob orientação do prof. Dr. Pedro Henrique de Carvalho Varoni, com financiamento da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES). Atuou como consultora da rede de cidades criativas da UNESCO, na cidade de Poços de Caldas, juntamente com Daniel Perico Graciano. Publicou livros infantis que concorrem ao PNLD (Programa de compra de livros do governo), desenvolveu material didático e paradidático ao longo dos anos. É autora de capítulos de livros e artigos. Principais temas de interesse: discurso literário, discurso político e materiais instrucionais.
OF-05: Humor e discurso de ódio na política brasileira contemporânea
Profa. Mestra Myllena Araujo Nascimento, Prof. Dr. Filipo Pires Figueira e Prof. Dr. Carlos Piovezani
Historicamente, a política foi e continua sendo uma fonte inesgotável para produções humorísticas. Há, inclusive, muitos que defendem que o “humor político” é uma importante manifestação da liberdade de expressão e, dessa forma, uma peça fundamental para a vitalidade da democracia e para a lisura de seus processos. Contudo, a instrumentalização do humor como forma de se fazer política, em particular, de um humor obsceno e agressivo (Freud, 2017), é um fenômeno relativamente recente; mais ainda, um fenômeno de certa forma insólito, tendo em vista que uma das marcas do discurso humorístico consiste justamente no tratamento não sério dos fatos (Possenti, 2020). Assistimos, assim, a uma considerável ampliação e intensificação na recorrência e no grau de agressividade das produções humorísticas no debate político brasileiro, um acontecimento que remonta à reconfiguração da vida política iniciada no âmbito das Jornadas de Junho de 2013. Particularmente depois do golpe parlamentar que removeu Dilma Rousseff do cargo da presidência e na disputa eleitoral de 2018, que elegeu Jair Bolsonaro como seu sucessor, o humor agressivo, empregado como materialização do discurso de ódio, esteve cada vez mais presente no campo político, sobretudo, em contexto eleitoral. Refletindo sobre o poder agencial do discurso de ódio, autores como Piovezani e Gentile (2020) apontam para a ascensão de práticas e discursos de ódio contra minorias sociais como forma de consolidação de movimentos de extrema-direita em diferentes contextos, tal como ocorreu na Itália entre as décadas de 1920 e 1940 e, no Brasil, a partir da segunda década do século XXI. Esses e outros especialistas da “linguagem fascista” sustentam que seus recursos participam decisivamente da estética da extrema-direita e dos processos de aceitação e reprodução crescentes dos discursos de ódio e das práticas de violência que as sustentam. Uma das razões da eficácia do discurso de ódio consiste no fato de que partidários da extrema direita têm bastante sucesso na ampliação de suas ideologias por meio de suas narrativas e de suas maneiras de contá-las. O humor, assim, se destaca como uma forma discursiva eficiente, constante e, ao mesmo tempo, subestimada na construção e divulgação das ideologias da extrema-direita.. Diante disso, a proposta deste minicurso é depreender, descrever e interpretar as propriedades, as regularidades discursivas, as inflexões e os efeitos da presença do humor e do discurso de ódio no discurso político brasileiro contemporâneo. Para fazê-la, analisaremos falas públicas e memes produzidos pela extrema-direita brasileira no contexto político contemporâneo. Abordaremos seus principais aspectos tendo em vista o ensaio de Valentina Pisanty (2022) sobre a “risada fascista”, a fim de traçarmos um paralelo entre as semelhanças e divergências do humor fascista italiano do século XX e do humor fascista dos nossos tempos no Brasil.
Myllena Araújo Nascimento (Lattes):
Doutoranda em Linguística pelo Programa de Pós-Graduação em Linguística (PPGL - UFSCar), com ênfase em Linguagem e Discurso, em período sanduíche (2024-2025) na CY Cergy Paris Université, em Paris - França, com financiamento da FAPESP. Mestre em Linguística pelo Programa de Pós-Graduação em Linguística (PROLING - UFPB), com ênfase em Linguística e Práticas Sociais. Graduada em Letras (Português) pela Universidade Federal da Paraíba. Bolsista da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo - FAPESP. Atuante nos grupos de pesquisa LABOR - Laboratório de Estudos do Discurso, VOX - Grupo de Estudos em Análise do Discurso e História das Ideias Linguísticas e Observatório do Discurso.
Filipo Pires Figueira (Lattes):
Licenciado em Letras, Mestre e Doutor em Linguística pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Membro dos Grupos de Pesquisa "Fórmula e Estereótipos: Teoria e Análise" (FEsTA/UNICAMP), "O Cotidiano na HIstória das Ideias Linguísticas do Brasil" (CoLHIBri/UNICAMP) e do "Laboratório de Estudos do Discurso" (LABOR/UFSCar). Atualmente, realiza estágio de Pós-Doutorado na UFSCar/São Carlos. Especialista em Análise do Discurso, interessado por questões de ordem teórica, mas também pelos campos de estudos do Humor, da Política e de Gênero.
Carlos Piovezani (Lattes):
Professor associado do Departamento de Letras e do Programa de Pós-Graduação em Linguística da Universidade Federal de São Carlos e pesquisador do CNPq. Foi coordenador do PPGL/UFSCar entre 2013 e 2016 e coordena atualmente o Laboratório de Estudos do Discurso da UFSCar. Membro do conselho editorial de vários periódicos especializados, da Editora da ABRALIN e editor adjunto da Revista Acta Semiótica et Lingvistica. Fez graduação em Letras na UFMS/Dourados, mestrado e doutorado em Linguística e Língua Portuguesa na UNESP/Araraquara e estágio de doutorado na Universidade Sorbonne Nouvelle. Fez ainda pós-doutorado na Unicamp e na EHESS/Paris. Atua nas áreas de Análise do discurso, História das ideias linguísticas e Retórica. Financiadas pelo CNPq, pela CAPES ou pela FAPESP, suas pesquisas tratam da história da fala pública, do discurso político e de discursos da mídia. Foi professor convidado na EHESS/Paris e professor visitante na Universidade de Buenos Aires (UBA).
OF-06: Uma rápida introdução ao LaTeX
Prof. Mestre Gabriel Catani e Prof. João Pedro Gonçalves Munhoz)
Gabriel Catani (Lattes):
Doutorando em Linguística pela UFSCar (2024-). Mestre (2023) e Bacharel (2021) em Linguística pela Unicamp. Tem experiência na área de Linguística, especialmente em Fonética Forense, Fonética Acústica, Sociolinguística Variacionista e Linguística Computacional. É membro do Laboratório de Fonética da UFSCar e do Laboratório VARIEM - Variação, Identidade, Estilo e Mudança (Unicamp). Atualmente se interessa por aplicações forenses da linguística; fonética acústica; emprego de técnicas computacionais para análises linguísticas; inteligência artificial; síntese de voz e variação linguística.
João Pedro Gonçalves Munhoz (Lattes):
Possui graduação em Linguística pela Universidade Federal de São Carlos (2024) e curso técnico profissionalizante em Informática pelo Instituto Federal de São Paulo - Câmpus Presidente Epitácio (2018). Atualmente é Técnico de Desenvolvimento Jr. do Opto Eletrônica. Tem experiência na área de Linguística.
OF-07: Do Tema à Tarefa: Explorando o Ensino por Tarefas na Prática Docente com Foco na Elaboração de ciclos de tarefas
Profa. Mestra Fernanda Goulart
Esta oficina tem como objetivo apresentar aos participantes – estudantes e professores de língua inglesa – os fundamentos teóricos e práticos do Planejamento Temático Baseado em Tarefas (PTBT), com foco na construção de ciclos de tarefas compostos pelas fases de pré-tarefa, tarefa e pós-tarefa. A proposta parte da perspectiva do ensino comunicativo de línguas e enfatiza a relevância do trabalho com temas como eixo estruturante do processo de ensino-aprendizagem. Ao longo da oficina, serão discutidas as diferenças conceituais entre atividades comunicativas e tarefas propriamente ditas, com base na literatura especializada. A partir disso, os participantes serão convidados a elaborar, de forma colaborativa, um ciclo de tarefas comunicativas com base em um tema. A atividade se justifica pela necessidade de ampliar o conhecimento e a familiaridade de professores(as) e futuros(as) docentes com o uso de tarefas no contexto brasileiro, visto que, apesar da ampla discussão teórica existente, ainda são escassas as iniciativas formativas que aproximem teoria e prática no planejamento de aulas com base nessa abordagem.
Fernanda Goulart (Lattes):
Doutora em Linguística pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), com estágio sanduíche na University College London (UCL) (2023) - Bolsista CAPES PRINT; possui graduação em Letras (Inglês-Português) pela Universidade Estadual de Londrina (2004), especialização em Tradução (Inglês) pelo Centro Universitário Ibero-Americano (2006) e mestrado com bolsa CAPES em Educação pela Universidade Federal de Alagoas (2013). Em 2016, realizou curso de capacitação (TESOL- Teaching English as a Second Language) na Northen Virginia Community College - USA, financiado pela CAPES. É membro de projeto financiado pelo CNPq (Edital Universal) pela UFSCar. É líder do GELFE - Grupo de Estudos em Línguas para Fins Específicos (IFSP). Representou a ARINTER (Associação de Relações Internacionais) no IFSP- Campus Piracicaba no ano de 2019.
Minicursos
MC-01: Refletindo a pedagogia de línguas: contribuições da teoria da complexidade/caos
Profa. Dra. Elaine Ferreira do Vale Borges
Este minicurso propõe uma reflexão crítica e sensível sobre fundamentos e práticas da pedagogia de línguas a partir das lentes da teoria da complexidade/caos. Repensando rotas lineares, previsíveis e pré-estabelecidas, propõe-se uma visão da sala de aula – e de seus elementos sub e supra-aninhados – como um ecossistema vivo, dinâmico e em constante transformação. Nessa perspectiva, o erro, o improviso, as relações afetivas, os diferentes contextos, as múltiplas vozes e ações dos sujeitos são compreendidos como variáveis que se auto-organizam, gerando emergências comportamentais próprias de sistemas interconectados. Serão explorados noções e conceitos como sistemas caóticos, imprevisibilidade, emergência, interdependência, coadaptação, não-linearidade, transdisciplinaridade, atrator caótico, auto-organização, bifurcação, entropia, fractal articulando-as/os a práticas pedagógicas que acolhem a fluidez, a diversidade e a complexidade dos processos de ensino e de aprendizagem de línguas. Mais do que oferecer respostas prontas, o minicurso propõe um espaço formativo para o questionamento crítico, a escuta ativa e a construção coletiva de sentidos, ampliando as possibilidades de pensar e experienciar o ensinar e o aprender no campo das línguas sob o paradigma da complexidade.
Elaine Ferreira do Vale Borges (Lattes):
Bacharel e Licenciada em Letras (Português/Inglês) pela Faculdade de Ciências e Letras da UNESP, mestre em Linguística Aplicada pelo Instituto de Estudos da Linguagem (IEL) da UNICAMP, doutora em Educação pela Faculdade de Educação (FE) da USP e pós-doutora em Estudos Linguísticos pelo Programa de Pós-Graduação em Estudos Linguísticos (POSLIN) da Faculdade de Letras (FALE) da UFMG. Fez estágio doutoral na Universidade de Murcia (Espanha). Trabalhou como teacher assistent (TA) no The Joseph H. Lauder Institute of Managment and International Studies da Universidade da Pennsylvania (EUA). Foi diretora cultural da Associação dos Professores de Língua Inglesa do Estado de São Paulo (APLIESP). Tem experiência na área de Linguística Aplicada e Educação em ensino e aprendizagem/aquisição de línguas adicionais (incluindo Libras como L2) e teoria da complexidade/caos, atuando principalmente nos seguintes temas: abordagens de ensino e pedagogia de línguas adicionais, aquisição de segunda língua e desenvolvimento de professores de línguas adicionais. Foi professora adjunta do Departamento de Estudos da Linguagem (DEEL), do Programa de Pós-Graduação em Educação (PPGE) e do Programa de Pós-Graduação Estudos da Linguagem (PPGEL) na Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG). Nessa instituição, desenvolveu o Projeto de Pesquisa Continuada "Pedagogia Complexa de Línguas Adicionais"; tendo sido Coordenadora da Área de Estágio Supervisionado do Curso de Licenciaturas em Letras, uma das Coordenadoras Pedagógicas do Curso de Línguas Estrangeiras para a Comunidade (CLEC), Coordenadora Institucional do Programa Inglês Sem Fronteiras da SESu/MEC e do Projeto Paraná Fala Inglês da SETI/PR; e, também, Coordenadora do Subprojeto PIBID-Inglês da CAPES. Desde 2022, faz parte do corpo docente do Programa de Pós-Graduação em Linguística (PPGL) da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), onde orienta pesquisas de mestrado e doutorado na linha de Ensino e Aprendizagem de Línguas Estrangeiras com foco na Teoria da Complexidade/Caos. No PPGL/UFSCar, atua como presidente da Comissão de Acompanhamento da Oferta Curricular e como membro da Comissão de Autoavaliação (biênio 2023-2025); desenvolve pesquisa continuada intitulada "O sistema ensino de línguas: a gênese de um fenômeno adaptativo complexo" aninhado às reflexões do "Grupo de Estudos em Racionalidade Sistêmica e Pedagogia de Línguas - GRaSPe" (www.graspe.ufscar.br) do qual é líder. Participa como pesquisadora do Grupo de Pesquisa "Educação Linguística e Formação de Professores de Línguas" do Diretório do CNPq (PPGL-UFSCar) e do Grupo de Trabalho (GT) "Formação de Educadores na Linguística Aplicada - GTFELA" da ANPOLL - Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Letras e Linguística".
MC-02: Práticas e representações da escrita e da leitura
Profa. Dra. Luzmara Curcino, Prof. Dr. Rafael Borges e Profa. Dra. Pamela Rosin
Neste minicurso discutiremos, à luz de princípios da Análise do Discurso em especial, relativos à “ordem dos discursos” (Michel Foucault, 1998), de reflexões da Sociologia da distinção cultural (Pierre Bourdieu, 2007; Didier Eribon, 2022), da História Cultural da leitura (Roger Chartier, 1998), e da História das sensibilidades/emoções (Courtine, 2016), algumas formas de representação da escrita e da leitura em nossa sociedade de modo a refletirmos sobre o impacto dessas representações sobre essas práticas, ou seja, sobre o modo como as concebemos e as exercemos, ou somos impedidos de exercê-las, individual e coletivamente. Para isso, cada ministrante mobilizará dados distintos, que guardam em comum justamente certas regularidades quanto aos modos como a escrita e a leitura são em geral enunciadas, mostradas, ostentadas, não de qualquer modo, nem por qualquer um. Como toda e qualquer prática, elas não são independentes das formas simbólicas com as quais uma sociedade avalia, julga, promove, ensina seus sujeitos como usufruir dessas práticas. Além disso, dado seu valor simbólico e distintivo, as formas de representação dessas práticas também agem na separação e na hierarquização dos sujeitos, elegendo e legitimando alguns e estigmatizando outros quanto à apropriação da escrita e da leitura. O que buscaremos focalizar no minicurso, por meio da demonstração de análises de textos de diferentes origens e gêneros que tenham tematizado a escrita e/ou a leitura, é justamente algumas dessas injunções discursivas que definem o que, social, cultural e historicamente pode e deve ser enunciado sobre essas práticas, quem são seus enunciadores legítimos, que objetos, usos e sujeitos são normalmente evocados nas representações dessas práticas e de que modo são caracterizados. Também focalizaremos que emoções podem estar implicadas quando enunciamos a respeito da escrita e da leitura, e o quanto a convocação dessas emoções constitui, afeta e determina os discursos, logo as práticas de escrita e de leitura.
Luzmara Curcino Ferreira (Lattes):
Graduada em Letras pela UFU (2001), mestre (2003) e doutora (2006) em Linguística e Língua Portuguesa pela UNESP/FCLAr. Realizou estágio de doutorado no exterior, em 2005, na Escola de Altos Estudos em Ciências Sociais (EHESS/Paris/França), sob a supervisão de Roger Chartier. Realizou pós-doutorado na UNICAMP (07/2016 a 07/2017) sob a supervisão de Sírio Possenti, e na Universidade de Versalhes Saint Quentin em Yvelines - UVSQY/Versalhes/França (08/2017 a 01/2018), sob a supervisão de Jean-Yves Mollier e Jean-Claude Yon. Professora Associada (nível IV) no Departamento de Letras da Universidade Federal de São Carlos, atuando nos cursos de Licenciatura em Letras e Bacharelado em Linguística e nos cursos de Mestrado e Doutorado do Programa de Pós-Graduação em Linguística desta instituição, orientando pesquisas nas linhas de "Ensino e Aprendizagem de Línguas" e de "Linguagem e Discurso". Atuou como professora visitante na Universidade de Buenos Aires (2016) e pesquisadora no Centro de História Cultural das Sociedades Contemporâneas na UVSQY/Versalhes/França em 2017-2028. Tradutora de vários livros da área de estudos da leitura, análise do discurso e sociologia cultural. Atuou como vice-coordenadora do PPGL/UFSCar de 2021 a 2025. Coordena o Laboratório de Estudos da Leitura (LIRE-UFSCar/CNPq) desde 2009. Coordenou a área de Letras do PIBID, entre 2013 e 2021. Também atuou como membro da equipe gestora do PRODOCÊNCIA (2014), do PNAIC (2016 a 2017) e como membro-coordenador do PLI (de 2011 a 2015 e de 2017 a 2020). Dedica-se a pesquisas em análise de discursos sobre a leitura e sobre o leitor brasileiro. Atualmente desenvolve projeto de pesquisa sobre as emoções em discursos sobre a leitura. Nesses projetos, tem contado com financiamento parcial ou integral das agências de fomento CNPq, CAPES e FAPESP.
Pâmela da Silva Rosin (Lattes):
Professora Auxiliar II no Centro Universitário Estácio de Ribeirão Preto, atuando nos cursos de Bacharelado em Direito, Bacharelado em Comunicação Social (Publicidade e Propaganda) e na Licenciatura em Pedagogia. É bacharela em Linguística pela UFSCar (2013), tem especialização em Educação e Novas Tecnologias pela Universidade Estácio de Sá Polo Ribeirania (2023). É mestra em Linguística (área de concentração: Linguagem e Discurso) pelo PPGL/UFSCar (2016) e doutora em Linguística pela mesma instituição (2020) com a realização de estágio de doutorado (2018) na École des Hautes Études en Sciences Sociales (EHESS/Paris, França) sob a supervisão da Profa. Dra. Judith Lyon-Caen, com apoio financeiro da FAPESP (BEPE/Processo: 2017/26244-4). Desde 2012 é membro do grupo de pesquisa LIRE (Laboratório de Estudos da Leitura), dedicando-se a pesquisas relativas à leitura, à formação do leitor e às práticas de leitura e escrita, particularmente no que diz respeito às frases destacadas e seu uso posterior. Atuou como Revisora voluntária (2015-2016) no projeto Letras Solidárias, promovido pelo Programa de Aprendizagem Cooperativa em Células Estudantis PPACCE da Universidade Federal do Ceará e como estagiária nas áreas de produção e revisão, especificamente com análise, edição e produção de conteúdo radiofônico e web no Programa do Gringo na Rádio UFSCar (2013) e na coluna semanal do Programa Comemore no Jornal Cidade do Rio Claro (2013).
Rafael Borges Ribeiro dos Santos (Lattes):
Graduado em Letras - Português e Espanhol pela Universidade Federal de São Carlos (2014). Mestre (2017) pelo Programa de Pós-Graduação em Linguística da Universidade Federal de São Carlos e Doutor (2021) pelo mesmo programa. Fez parte da graduação na Universidade de Valladolid, Espanha (2012 - 2013) e, posteriormente, estágio de Pesquisa na Universidade de Barcelona (2014), sob a orientação do Professor Dr. Jorge Larrosa. A nível de doutorado, fez estágio de pesquisa na Universidade Pompeu Fabra (2019 - 2020), sob orientação do Prof. Dr. Daniel Cassany. Desde 2017 é professor na Universidade Federal do Rio Grande do Norte, na Escola Agrícola de Jundiaí. Atualmente se encontra em Cooperação Técnica no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Sul de Minas Gerais. Desde 2010 desenvolve pesquisas junto ao Laboratório de Estudos da Leitura (LIRE) e ao Profissionalidade Docente e Ensino de Língua Espanhola (PRODELE). Também participa do Laboratório de Investigações Bakhtinianas Relacionadas à Cultura e Informação (LIBRE-CI). Possui interesses de pesquisa e atua como coordenador de projetos de pesquisa e extensão em temas relacionados à leitura e à formação do leitor contemporâneo, em língua portuguesa e espanhol como língua estrangeira.
MC-03: Hýle e noûs: o impacto dos hábitos linguísticos no pensamento
Prof. Dr. Daniel Perico Graciano
O minicurso é destinado à discussão acerca das relações entre linguagem e pensamento, a partir do pressuposto de que estas tendem mais à cristalização de hábitos mentais decorrentes de hábitos linguísticos do que propriamente a uma determinação. Com base em uma revisão de literatura, partimos da ideia de que o ponto nevrálgico dessas relações está naquilo que cada língua obriga o falante a dizer e não naquilo que permite. De modo que a maior recorrência daquilo que obrigatoriamente deve ser dito contribua para o desenvolvimento de uma base correspondente de percepção e interpretação dos estados de coisas. No entanto, para que os hábitos linguísticos cristalizem os hábitos mentais, o falante deve enunciar, e, para enunciar, pressupõe-se um conjunto de saberes previamente cristalizados que, por sua vez, se expressam na manifestação hilética da linguagem. Vale ressaltar que as correlações não necessariamente implicam em causalidade. Tudo depende da intermediação cultural predominante em cada comunidade linguística. Fica claro que, ao contrário daquilo que a tradição metafísica defende, a língua materna não impõe quaisquer limites ou restrições intelectuais ou prejuízos na interpretação de conhecimentos desenvolvidos a partir de outras línguas. As razões pelas quais um sistema de signos se alicerça em determinados termos obrigatórios e outros opcionais podem variar das condições ambientais às crenças religiosas, das tradições locais aos meios de subsistência etc. Do mesmo modo, a língua materna pode ser o fator determinante. O fato é que as convenções culturais constantemente vestem a máscara da natureza e se nos apresentam como “universais” e assim as concebemos simplesmente pelo fato de que não nos ocorre olhar o que há por trás da máscara.
Daniel Perico Graciano (Lattes):
Doutor em Linguística pela Universidade Federal de São Carlos - UFSCar. É membro do grupo de pesquisa VOX - Grupo de Estudos em Análise do Discurso e História das Ideias Linguísticas, do grupo Labor - Laboratório de Estudos do Discurso e do Grupo de Pesquisa Interdisciplinar em Semiótica da Universidade Federal de São Carlos. Realizou estágios de docência no curso de Linguística, sob supervisão da professora Mariana Luz Pessoa de Barros e do professor Carlos Félix Piovezani Filho. Foi bolsista de Mestrado da CAPES com a pesquisa “Os Dentes Elétricos dos Canibais: uma cartografia dos fluxos semióticos na canção de resistência da década de 1960”.
MC-04: Uma abordagem discursivo-midiológica da digitalidade: teoria, método e identidade editorial
Profa. Dra. Luciana Salazar Salgado e Prof. Me. J. Victor Messias
Nas duas últimas décadas, os estudos discursivos viram-se instados a incorporar em suas análises o que se tem referido como “questões de circulação”: o modo como os discursos circulam é visto, hoje, como constitutivo das discursividades. Isso levou à criação, por exemplo, de termos como “discurso digital”, que abrem para o entendimento de que um discurso coincide com suas formas de inscrição na dinâmica sistêmica em que se formulam e fazem sentido. Mas, considerando que os discursos são conjuntos de restrições semânticas indissociáveis de práticas socio-históricas, e considerando as questões que a virada das materialidades propõe para as ciências humanas, parece importante compreender que a digitalidade é uma lógica sistêmica que preside dispositivos nos quais os discursos se inscrevem, com efeitos variáveis; logo, um discurso não é digital (como não é impresso ou eletrônico), ele pode se produzir e distribuir em ambiente digitalmente organizado. Dessa perspectiva, importa levar em conta que as telas onde aparecem os enunciados não são um ponto zero, mas portais ou encruzilhadas; há um “da tela pra lá” e um “da tela pra cá”, onde usuários frequentemente desconhecem as formas de seleção e de agrupamento que se dão antes e alhures. Ou seja: a dimensão técnica da distribuição dos discursos suscita, incita ou evita disposições subjetivas. A noção de “mídium”, que supõe os dispositivos como mediadores, é uma formulação teórica e metodológica que enfrenta essa relação entre dispositivos e disposições via semiologia dos objetos técnicos. Dessa perspectiva, a digitalidade é mais do que um meio e certamente não é uma qualidade atribuível aos discursos, ela é uma condicionante da gestão do interdiscurso. O exame da materialidade dos dispositivos dá a ver de que modo as instituições discursivas os afiançam e por eles são afiançadas, e é esse duplo corpo do mídium que será apresentado neste minicurso. No primeiro dia, através da exposição metodológica da teoria, no segundo dia, através de um exercício de análise conjunta das materialidades empregadas pela editora Darkside® Books para constituir sua identidade como “a maior editora de Horror do Brasil”.
Luciana Salazar Salgado (Lattes):
Professora Associada, trabalha no Departamento de Letras da UFSCar. É graduada em Letras (Francês e Português) pela FFLCH/USP (1992), licenciada em Língua Portuguesa pela FE/USP (1994), tem especialização em Comunicação de Marketing pela ESPM/SP (1995), é mestre em Educação (área de concentração: Ciência e Linguagem) pela FE/USP (1998) e doutora em Linguística (área de concentração: Análise do Discurso) pelo IEL/Unicamp (2007). Em seu segundo pós-doutoramento (2017-2019) trabalhou no Fundo Milton Santos, no Arquivo do Instituto de Estudos Brasileiros - IEB/USP; no pós-doutoramento desenvolvido no Departamento de Linguística da FFLCH/USP (2008 e 2010), estudou as políticas federais de formação de neoleitores. Trabalhou com projetos de editoria no núcleo técnico Confraria de Textos (1999-2010) e tem experiência em edição de textos, com ênfase em projetos coletivos e assessoria para coleções, tanto nas atividades executivas quanto nas de pesquisa e análise. Atualmente estuda mediação editorial, materialidades da cultura e hiperdigitalidade, com atividades ligadas ao LABEPPE - Laboratório de Escritas Profissionais e Processos de Edição (CEFET-MG, UFSCar), que abriga, sob sua coordenação junto com Prof. Dr. José Muniz Jr., o Grupo de Pesquisa Comunica - Inscrições Linguísticas na Comunicação (UFSCar/CEFET-MG, CNPq). Participa do Observatório da Literatura Digital Brasileira (UFSCar, CNPq) e é membro do Instituto de Pesquisa FEsTA: fórmulas e estereótipos, teoria e análise (IEL, Unicamp). Na UFSCar, atua nos Programas de Pós-graduação em Linguística e em Estudos de Literatura; no IEB/USP, atua no Programa Multidisciplinar em Culturas e Identidades Brasileiras. Participa, desde 2020, da coordenação do GT ANPOLL "Discurso, trabalho e ética".
José Victor Rodrigues de Andrade Messias (Lattes):
Mestre em Estudos de Literatura com ênfase em Literatura, Linguagens e Meios, pelo Programa de Pós-Graduação em Estudos de Literatura (PPGLit/UFSCar-São Carlos). Bacharel em Linguística pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar - São Carlos). Membro do grupo de pesquisa Comunica - Inscrições Linguísticas na Comunicação (UFSCar/CEFET-MG, CNPq), grupo esse que faz parte da rede de pesquisas do Laboratório de Escritas Profissionais e Processos de Edição - LABEPPE (UFSCar - CEFET MG). Atuou como pesquisador com bolsa PIBIC/CNPq e com bolsa FAPESP, protocolo: 2020/10767-0. Atualmente atua como apoio técnico do GP. Também é idealizador do subgrupo de leitura Comunikids, o qual coordenou junto da Bac. Mariana Santos (UFSCar). Entusiasta dos estudos editoriais, estudos góticos e sobre o horror, tanto literário quanto cinematográfico.
MC-05: Um jardim mexicano para cultivar processos de formação de professores de espanhol língua estrangeira
Profa. Dra. Adriana Marcela Bogado
Este minicurso se inspira nos jardins como espaços de experiência que incorporam modos de ser e existir em diferentes culturas. Assim, tomando o jardim como tema experimentaremos uma metodologia de ensino e aprendizagem de espanhol língua estrangeira que busca integrar as dimensões sensível, intercultural, estética, linguística e ambiental. No primeiro encontro, conheceremos um pouco da história dos jardins como lugares de lazer, recreação e de contato com a beleza, em que as distintas culturas imprimem sua marca. Para isso utilizaremos algumas imagens do Jardim Botânico Amantikir, de Campos do Jordão. Em seguida, serão descritas as características dos jardins tradicionais da cultura mexicana, considerados espaços sagrados pelas civilizações originárias desse território. Encerraremos o primeiro encontro, abordando as diversas influências transmitidas pelos espanhóis até os dias atuais, tomando como referência o jardim do Museu Frida Kahlo. Dessa forma, poderemos identificar alguns elementos essenciais na construção de um jardim mexicano. No segundo encontro, exploraremos o nosso jardim interior e construiremos uma representação dele, a partir de dinâmicas inspiradas em Mariscal (2014), Estés (2018) e Stuart-Smith (2021). Encerraremos o encontro refletindo sobre a relevância de processos de ensino e aprendizagem de espanhol que integrem Língua e Cultura, e sobre as possibilidades de implementação e adaptação das dinâmicas experimentadas nos contextos de atuação dos participantes. Todo o minicurso será ministrado em espanhol.
Adriana Marcela Bogado (Lattes):
Educadora e pesquisadora de formação multidisciplinar, nas áreas de Letras, Sociologia e Educação, com Doutorado em Sociologia pelo Programa de Pós-graduação em Sociologia da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), e pós-doutorado no Departamento de Metodologia de Ensino da UFSCar. Atua como professora de espanhol para brasileiros em La Fuente, um espaço de ensino criado pela educadora para desenvolver processos relacionados ao ensino-aprendizagem do espanhol como educação ao longo da vida. Também realiza traduções de textos acadêmicos e coordena atividades culturais e educativas que promovem o contato com a língua e culturas hispânicas.
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